Caminhada Memorial de Okjökull: Visita à Primeira Placa do Mundo de um “Glaciar Morto” no Ok

Em agosto de 2019, um pequeno grupo subiu ao vasto topo arredondado de Ok, um vulcão em escudo no oeste da Islândia, e fixou uma placa de bronze na rocha do cume. Esta assinala o Okjökull, o primeiro glaciar islandês com nome a ser declarado extinto devido ao aquecimento global. A cerimónia, que incluiu um funeral simbólico, atraiu jornalistas de todo o mundo. A caminhada para lá chegar é longa, sem trilho em alguns troços e apenas realizável na curta janela do verão, mas leva-o a um dos locais mais silenciosamente comoventes do país.
Por que Ok se tornou uma história global
Ok é um vulcão em escudo arredondado que se eleva a cerca de 1.198 metros, a oeste da calota de gelo de Langjökull, acessível a partir da estrada de montanha Kaldidalur (Rota 550). Durante a maior parte do século XX, o seu cume albergou um glaciar, o Okjökull. Essa massa de gelo encolheu de cerca de 15 quilómetros quadrados por volta de 1900 para aproximadamente 0,7 quilómetros quadrados em 2015. Em 2014, o glaciologista Oddur Sigurðsson declarou formalmente que este já não era um glaciar, uma vez que o gelo restante era demasiado fino para se mover sob o seu próprio peso.
Os antropólogos Cymene Howe e Dominic Boyer, da Rice University, contaram esta história no seu filme de 2018, Not Ok, e propuseram um memorial. A placa, intitulada “Uma carta para o futuro” e escrita pelo autor Andri Snær Magnason, alerta que os restantes glaciares da Islândia deverão ter o mesmo destino nos próximos 200 anos. Termina com a medição do dióxido de carbono atmosférico registada naquele mês: 415 ppm.
A caminhada até à placa
O percurso habitual começa perto de Húsafell e da estrada Kaldidalur, na vertente ocidental de Ok. Não existe um trilho marcado ou com manutenção até ao topo, e longos troços atravessam rocha vulcânica solta. A subida não é particularmente íngreme, mas o terreno é irregular e o cume é uma cúpula ampla e uniforme, onde é muito fácil perder a orientação em caso de nevoeiro. Os relatos sobre o tempo de ida e volta variam bastante consoante o ponto de partida exato e as condições, indo de cerca de 4 a 7 horas; encare esta atividade como um passeio de um dia inteiro e volte para trás se o tempo piorar.
O que resta do gelo é modesto: manchas dispersas de neve antiga e suja, em vez de um verdadeiro glaciar. A recompensa é a própria placa e a vista panorâmica que se estende até ao vale de Borgarfjörður.
Informações práticas
- Como chegar: cerca de 50 minutos de carro a partir do Hvítá Inn em direção a Húsafell e ao início da estrada Kaldidalur (Rota 550); a estrada em si é uma pista de terra batida e cascalho de montanha.
- Duração: planeie um dia inteiro, cerca de 4 a 7 horas de ida e volta, dependendo do seu percurso exato e ritmo.
- Quando ir: apenas no verão, geralmente de maio a outubro, assim que a neve derreter e a estrada de montanha estiver aberta.
- Navegação: essencial. Leve um trilho de GPS ou mapa offline e uma bússola, pois não há caminho e o cume arredondado pode ser confuso com nevoeiro.
- O que levar: botas de caminhada robustas para a rocha solta, agasalhos impermeáveis e corta-vento, bastante água e comida, e um telemóvel carregado; não existem abrigos ou infraestruturas na montanha.
Onde ficar
O Hvítá Inn situa-se na margem do rio Hvítá, em Hvítárbakki, a cerca de 75 minutos de Reykjavík e a apenas 50 minutos do acesso a Ok pela estrada Kaldidalur. Isto torna-o a base ideal para começar cedo num longo dia de verão: poderá chegar ao início do trilho antes das multidões e ainda visitar outras atrações, cascatas e águas termais do vale de Borgarfjörður na mesma viagem. Os quartos dispõem de casa de banho privativa. Reserve diretamente em Ourhotels.is para obter a melhor tarifa.
Foto: Dominic Boyer via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.